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A necessária revolução na gestão das entidades esportivas

Na semana passada tivemos dois fatos diretamente ligados a FIFA e a seus dirigentes, que impactaram não somente na imagem da entidade como também abalaram o prestígio da modalidade futebol.

No primeiro fato, como forma de chamar a atenção para as condições de trabalho utilizadas nas obras no Qatar com vistas a Copa de 2022, designers internacionais criaram uma série de “anti-logos” utilizando como base as logomarcas oficiais das grandes multinacionais patrocinadoras do mundial naquele país. O trabalho pode ser visto pelo link http://goo.gl/OzJq4R.

No segundo, 8 dirigentes do alto escalão da entidade foram presos, acusados de diversos crimes, entre eles, pagamentos de propinas e subornos em diversos níveis. Neste mesmo processo, também estão envolvidos alguns empresários, donos das agências responsáveis por negociar os principais ativos da entidade e acusados de operar e distribuir os recursos do esquema.

No dia 02 de junho, Joseph Blatter anuncia sua renúncia ao cargo de Presidente da FIFA, confirmando apenas o início de um processo que pode transformar amplamente a gestão do mundo do futebol.

Infelizmente e pela forma mais dolorosa, tudo indica que desta vez a entidade irá finalmente entender que o esporte é um dos segmentos da indústria do entretenimento e, como tal, não está isolada do mundo e isenta de sofrer as consequências pelos atos que emanam de seus poderes.

Apenas em pouco mais de uma semana e após a notícia das prisões, as repercussões demonstram que como qualquer outra empresa, a entidade precisa entender e se preocupar como suas ações impactam nas empresas que se dispõe a investir em seus produtos, na mídia que os divulga e nas pessoas que se propõe a consumi-lo.

A ocorrência de escândalos na entidade que rege o maior esporte do mundo tem sido tão frequente e intensa que a credibilidade da modalidade e de suas instituições está profundamente abalada, ameaçando inclusive a percepção do público sobre as marcas que com ela se relacionam.

A Visa, por exemplo, em uma tentativa clara de resguardar sua imagem, foi a primeira das patrocinadoras a deixar claro por um comunicado oficial público que irá reavaliar sua posição de manter o patrocínio a entidade se algo não mudar rapidamente.

Os fatos ocorridos nos últimos dias corroboram uma tendência que vem aos poucos se consolidando principalmente na Europa. É necessário que as entidades de administração do esporte incorporem ao seu dia a dia os conceitos da boa governança. Conceitos como transparência, equidade, formato adequado de prestação de contas, responsabilidade corporativa e profissionalização da estrutura diretiva devem ser colocados em prática o mais rápido possível.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) é um exemplo de entidade que historicamente já tem e agora vem reforçando sua preocupação em relação ao movimento olímpico, que é, no final de tudo, o seu maior ativo!

A partir de inúmeras reflexões que remetem a vários questionamentos sobre o movimento olímpico, que vão desde os gastos assustadores e desproporcionais nas últimas edições dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos (de verão e de inverno) até a percepção sobre o afastamento significativo do público jovem de suas ações, o COI publicou em dezembro de 2014 a Agenda 2020 (pode ser acessada aqui: http://goo.gl/0OtH6j), que nada mais é do que um conjunto de 40 recomendações que visam mostrar claramente para a sociedade como ele, COI, pretende resgatar seu prestígio e se reaproximar dos valores olímpicos.

A governança das entidades tem lugar especial na Agenda 2020. E a lógica para o COI é óbvia e reta: é preciso afastar qualquer malversação de processos que denigram a imagem do esporte. Isto é fator básico para a sobrevivência das organizações que atuam neste setor.

Além disto, os debates e fóruns que discutem os princípios de governança no ambiente das entidades esportivas vem ocorrendo com muito mais frequência também. Movimentos como o do “Play the Game” (www.playthegame.org), além de realizar conferências sobre o tema, vem desenvolvendo em conjunto com 6 universidades europeias e o Centro Europeu de Jornalismo uma ferramenta para analisar e avaliar a qualidade da governança nas entidades de prática e administração do esporte.

Mesmo aqui no Brasil, temos realizado trabalhos para algumas entidades esportivas com o intuito de iniciar a aplicação destes conceitos no dia a dia de suas atividades. E por mais que o termo “governança” às vezes assuste um pouco, na realidade temos pontuado que se trata de um processo que está ao alcance de todos e, com um pouco de boa vontade, é possível realizar ações estruturantes que de fato irão impactar no desenvolvimento do esporte como um todo.

A verdade é que está cada vez mais claro que os conceitos da boa governança não se aplicam apenas para o mercado corporativo. Eles também não são direcionados exclusivamente a megacorporações com ações cotadas na Bolsa de Valores. Os princípios da boa governança se aplicam a todas as instituições que de alguma forma tem que se relacionar com a sociedade.

Independentemente dos devidos processos legais, que devem sempre ocorrer, neste momento os fatos colocam em suspeição os envolvidos em negócios com a FIFA. Aqueles que tem seu nome e/ou marca ligados a entidade passam a ser vistos com desconfiança e isso, naturalmente, não é bom para ninguém, mesmo para aqueles que não praticaram atos ilícitos.

A sociedade tem clamado por atitudes verdadeiras e coerentes. Esta tem sido a nossa evolução natural. O fato de participar de um movimento com mais pontos de interrogação do que de exclamação sugere uma reflexão mais profunda e a escolha por caminhos mais corretos por parte de todos. Em se tratando do mercado do esporte, cada vez mais, a paixão cega menos. A tolerância está cada vez menor e, por isso, precisamos de mudanças que sejam exequíveis e que falem a verdade.

Para finalizar, deixo algumas questões para reflexão: Você gostaria que a marca da empresa que seu pai fundou e você dirige estivesse na lista de logos citada acima, ou na homepage do site de uma entidade envolvida em um escândalo de tamanha proporção? Como acionista daquelas multinacionais duramente criticadas por seus clientes, por manter relação com uma entidade supostamente corrupta, como você agiria? Vale a pena estimular seus filhos a participar de um ambiente que vá claramente contra seus princípios fundamentais e contra aquilo que ele mesmo defende?

Talvez, antes que o ambiente ext
erno responda estas questões pelo sistema esportivo, é de extrema urgência que as organizações do esporte se antecipem em dar melhores respostas se quiserem se manter vivas no coração e na mente das pessoas e nos investimentos das empresas, governos e veículos de mídia. Se o esporte não mudar por si, alguém mudará pelo esporte! 

 

*Autor original do texto: Luis Felipe Monteiro de Barros, sócio-diretor da Inspire Sport Business

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Crise ou Oportunidade? Você decide

Se tomarmos como parâmetro os indicadores básicos da economia: dólar elevado, juros alto, PIB negativo, expectativa de inflação acima da meta, oportunidades de emprego em baixa, entre outros, somados à ênfase que a mídia dá para notícias ruins, fica fácil acreditar que não estamos vivendo uma crise e sim uma situação catastrófica, uma crise profunda, na qual todos afundaremos sem perspectiva de retorno.

Tenho sido frequentemente questionado sobre esse tema: "Cezar, o cenário que vivemos é de fato tão catastrófico? Existem alternativas? Oportunidades? O que preciso fazer para amenizar os efeitos da crise?" 

O fato é que estamos sim vivendo um momento preocupante e, confesso, é difícil não nos contaminarmos com o pessimismo que nos rodeia.

Não sou um expert em todas as áreas, no entanto minha primeira sugestão é mudar esse sentimento de pessimismo. Em um momento de turbulência, todos somos afetados – empregados, empresários, estudantes – mas apenas acreditar nas manchetes e lamentar não resolverá nada. É importante deixar de achar que aqui é o pior lugar do mundo, que as coisas erradas só acontecem no Brasil e que "não temos jeito". Temos no Brasil a tendência de falar mal do nosso país e não ficamos constrangidos quando outros falam mal de nossa pátria. Um absurdo!

Acreditem: temos que mudar esta postura. Basta olhar como outros povos lidam com situações semelhantes. É evidente que existe o fator cultural, somos latinos, mais emocionais e essa mudança de postura não ocorrerá do dia para a noite, mas é importante aproveitar o momento, focar nos exemplos positivos e começar a mudar imediatamente.

Tenho uma teoria de que vivemos 95% de nossas vidas de maneira agradável e alegre, mas por conta de nossa cultura de "enfatizar o que é ruim", lembramos e conversamos apenas sobre os 5% do que não funcionou como era planejado ou previsto. E isso se aplica à vida pessoal, profissional e até afetiva, portanto mudar esta percepção é a tarefa principal para viver de maneira mais alegre e feliz.

Por exemplo, os Estados Unidos também vivem um momento de crise. Lá se fala sobre o tema? Sim! Mas ao contrário do que se faz por aqui, não focam nos problemas, sabem que eles existem, não ignoram os riscos, mas focam nas soluções, enfatizam o que acontece de bom, destacam as melhorias. O americano típico não fala o tempo todo sobre a crise e por outro lado não são massacrados por uma mídia que gosta de vender desgraça. E ouse falar mal dos EUA ao americano, você ganhará um inimigo. Esse "jeito" faz com que a crise, apesar de existir, se torne um fardo mais leve e menos traumático.

Após esse primeiro preâmbulo, sugiro que você pare por alguns segundos e reflita se você pratica o pensamento otimista e se esforce para se distanciar do sentimento pessimista, de acreditar que tudo está muito ruim. Tenho algumas sugestões práticas que podem ajudar nesta dura tarefa de se tornar menos pessimista:

1 – Não forme sua opinião com base em manchetes ou posts no Facebook
É importante ler sobre o momento que vivemos, leia a notícia toda. Pesquise outras opiniões e busque números e fatos relevantes que envolvam o assunto, veja se você está inserido no contexto da notícia. O que parece ruim para alguns, pode ser oportunidades para outros, pode ser uma mudança positiva para o seu segmento, para o seu negócio. Muitas pessoas se tornaram especialistas em espalhar manchetes sem sequer ler a notícia!

2 – Tenha calma e não se deixe contaminar
Após conhecer com mais detalhes como você está inserido no momento “crise”, tendo sua própria opinião formada sobre o assunto e sendo necessário tomar alguma decisão, tenha serenidade. A oportunidade está em suas mãos. Avalie todas as possibilidades, visualize 2 ou 3 passos posteriores que envolvam a decisão que vai tomar. Pesquise e interaja com pessoas que vivam uma realidade parecida com a sua, veja acertos e erros cometidos. Aprenda com a experiência dos outros!

3 – Reveja seu modo de vida, corte gastos desnecessários
Quando existe abundância, não reparamos em pequenos desperdícios e em processos que possam ser melhorados e otimizados. A oportunidade é agora, pense detidamente no que pode ser mudado, o que pode ser melhorado, com menos tempo e menor custo e o que pode ser extinto. Essa sugestão vale para sua vida profissional e pessoal. Fazer mais com menos é a realidade do momento!

4 – Se você está empregado
Mesmo que esteja em um segmento favorecido pelo momento “crise”, não se sinta confortável. Trabalhe mais, dedique-se, estude, mostre comprometimento, sua oportunidade de crescimento ou preservação é agora. Se for necessário, abra mão de regalias neste momento, com certeza você será reconhecido e os frutos virão assim que o cenário melhorar. Lembre-se de que existem ótimos profissionais disponíveis no mercado e de olho no seu emprego, portanto se você não for o melhor profissional, a empresa terá a quem recorrer. Trabalhe todos os dias como se fosse seu primeiro dia no emprego!

5 – Se você está desempregado
Não desanime. Revise o seu currículo, o "produto você" precisa estar atrativo para o mercado. Fique atento às vagas divulgadas e se inscreva em todas as que julgar viáveis para você. Mantenha aquecido seu círculo de relacionamentos, evite reclamar pois ninguém gosta de gente "negativa" por perto. Participe de grupos de discussões nas mídias sociais, lembre-se de participar sempre de forma positiva, sendo o portador de soluções. Participe de cursos e eventos em sua área, existem muitos bons e que são gratuitos. Participe de trabalhos voluntários. Persista e não desista de seus sonhos!

Não existe fórmula para se tornar um otimista ou menos pessimista, no entanto, acredito que utilizando algumas dessas sugestões, mesmo com a crise e com as dificuldades, as alternativas e oportunidades aparecerão. Sempre que vejo a palavra CRISE me lembro do saudoso escritor e palestrante Marco Aurélio Vianna, que sabiamente ensinou em outros tempos não menos turbulentos que a solução ideal é tirar o “S da Crise”. CRIE! Reflitam e decidam qual caminho é melhor para você.

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Uma chance para aprofundar o debate

Ainda é impossível medir com exatidão as consequências e a abrangência do escândalo que chacoalhou o mundo do futebol na última semana – sete dirigentes ligados à Fifa, incluindo o brasileiro José Maria Marin, foram presos na quarta-feira (27) em operação liderada pela polícia federal dos Estados Unidos (FBI). A credibilidade da entidade internacional foi abalada, é claro, mas não impediu a reeleição do presidente Joseph Blatter, apoiado pelo baixo clero do futebol mundial e aclamado pouco mais de 48 horas depois das detenções. Marco Polo del Nero, atual mandatário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), também foi citado (não nominalmente) na investigação, mas concedeu entrevista coletiva cínica para tentar evitar que os descalabros pespegassem em sua imagem. Entre as denúncias, o trabalho de comunicação para gerir crises e as negativas de todos os lados, o episódio já serve como um excelente exemplo para discutir semântica e responsabilidade.

Vivemos uma era de rótulos, e há vários fatores que contribuem para essa discussão rasa. As redes sociais inseriram mais gente no debate e reduziram o espaço para as ideias, por exemplo, e isso criou um perigoso cenário em que apontar dedos é mais simples do que tentar entender contextos.

Na última sexta-feira (29), mesmo dia em que Blatter foi reeleito e Del Nero negou qualquer envolvimento com os esquemas, um episódio em São Paulo mostrou o quanto a sociedade brasileira atual tem sofrido uma crise de ideias e valores. Protesto realizado na Universidade de São Paulo (USP) acabou com cinco manifestantes feridos, um deles detido. Uma garota levou UM SOCO NO ROSTO de um POLICIAL MILITAR, oficial que em tese vive para proteger os cidadãos.

Instantes antes, o mesmo policial disparou spray de pimenta na jovem e em outra manifestante. Tudo que elas faziam de extremamente perigoso era mexer na mochila de um jovem que havia sido detido, e a ação foi inteiramente gravada. O oficial não tentou conversar ou controlar a situação em momento algum.

O caso de abuso é apenas um exemplo da falência da PM como instituição. O modelo militarizado e opressor simplesmente não condiz com a sociedade moderna. Não cabe e não pode ser admitido. E aqui não interessa se ela começou, agrediu, incitou ou provocou – nem foi o caso, mas esses são os primeiros argumentos usados por qualquer defensor da Corporação. Os policiais trabalham para a sociedade e não para combater a sociedade. Essa violência – como tantas outras, aliás – é simplesmente inaceitável.

A digressão e a relação com o exemplo do PM serviram apenas para mostrar que temos vivido uma crise de ideias. Nosso padrão de debate tem sido cada vez mais o que se viu no vídeo do protesto da USP: violência, confronto, excesso de força e poucas palavras.

O risco que se corre, nesse caso, é perder a razão. Ainda que a manifestante estivesse errada, o policial acabou com qualquer chance de discussão ao partir para a agressão. Ainda que ela tivesse feito isso antes, NÓS NÃO PODEMOS ADMITIR UMA SOCIEDADE DE OLHO POR OLHO.

Por tudo isso, é fundamental ter cautela quando acontece um escândalo de proporções tão grandes quanto o da Fifa. Como escreveu o jornalista Juca Kfouri, o benefício da dúvida a Del Nero só pode ser má fé ou ingenuidade. No entanto, não se pode confundir a convicção com base jurídica.

Enquanto houver uma investigação em curso, suspeitos são apenas suspeitos. Sobre isso, costumo citar sempre o filme “12 homens e uma sentença”, obra de tribunal dirigida por Sidney Lumet em 1957. Sem qualquer comparação com o caso atual, aquele é baseado em um júri de assassinato: todos os indícios levam à condenação do réu, mas um dos jurados começa a desconstruir os argumentos até incutir a dúvida na cabeça de todos.

Nesse caso, portanto, não se trata de ingenuidade, promiscuidade ou pusilanimidade: os fatos são suficientemente fortes para que sejam apurados e causem impacto nos alicerces do futebol mundial. Transformar isso em rótulos rasos só faz mal para o debate.

O futebol mundial tem atualmente uma oportunidade rara para criar uma discussão ampla, que inclua diferentes segmentos e que contribua para a evolução do jogo como evento social. Para isso, porém, é fundamental que o debate supere os rótulos ou a gritaria.

Marin foi preso, e Del Nero ainda deve sofrer consequências. Apontar dedos, porém, vai apenas mudar as moscas. Como disse o Ulisses Guimarães, em frase relembrada pelo jornalista Luis Augusto Simon, “não existe vácuo de poder”. Derrube os atuais comandantes do futebol e mantenha as estruturas intactas, e os problemas vão persistir.

É claro que achar culpados é relevante. É claro que necessitamos de um trabalho de investigação que seja minucioso e que indique as pessoas que se beneficiaram ilegalmente de um jogo que é paixão global. Contudo, o que está em jogo é a cultura de todo o esporte, e nesse cenário os nomes importam menos do que a discussão.

Como segmento, o futebol precisa de auditoria. Ainda que instituições como a CBF e a Fifa sejam privadas, elas são foco de interesse público. Por isso, devem prestar contas à sociedade – e não apenas no aspecto financeiro. Saber quanto essas entidades ganham e como elas gastam esses recursos é relevante, mas aqui a palavra “auditoria” é mais abrangente: é preciso saber por que elas tomam determinadas decisões e como elas usam a influência que o esporte oferece.

Pela abrangência que tem e pelas paixões que desperta, o futebol é um agente social com enorme potencial de formação e transformação. Até por isso, é fundamental que criemos ambientes em que o segmento seja discutido – esses debates não podem ficar restritos ao ambiente acadêmico ou às pessoas que fazem parte do segmento.

Como em qualquer crise, o futebol tem agora uma chance de autoanálise, e isso tem de ser muito maior do que apenas algumas prisões. Resta saber se as pessoas que comandam a modalidade terão maturidade para enxergar numa crise de imagem uma chance de reinvenção. Sem rótulos e com profundidade.

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Os conceitos do jogo – parte II

As equipes podem fazer gol de transição ofensiva?

Sim ou Não? Qual a sua resposta?

Dando sequência ao tema da coluna anterior, será iniciada a discussão do questionamento proposto ao leitor sobre em qual classificação devem ser inseridos os conceitos de contra-ataque e transição ofensiva.
Aproveito a oportunidade para agradecer a participação de Willians Alves, Carlos Vargas, Baldini Myung, Ricardo Paraventi, Diogo Pereira e Rafael Bertelli. A contribuição de vocês foi fundamental para confirmar a relevância de discutir o tema.

O Rafael Bertelli, inclusive, disponibilizou uma entrevista de Júlio Garganta, referência mundial em pesquisa na modalidade. Abaixo, segue um pequeno trecho da entrevista:

“Que importância atribui à utilização de um léxico claro e universal no futebol?

Alguém disse um dia que uma rosa, ainda que se chamasse outra coisa, não deixaria de ter o mesmo perfume! Contudo, podemos rememorar o odor desta flor pelo simples facto de invocarmos o nome “rosa”. De facto, um léxico é um facilitador da comunicação e, no caso do Futebol, poderia ser um promotor da relação entre pares (atletas, treinadores, pesquisadores) e do avanço do conhecimento, porque permitiria centrar a atenção mais nos conteúdos do que nas respectivas designações ou “rótulos”. Por analogia com o exemplo anterior, permitia, precisamente, que não perdêssemos tempo à procura de vários nomes para “rosa” e nos detivéssemos nas suas características, nomeadamente no seu odor. Se, por exemplo, no domínio da medicina, ou da farmacologia, houvesse várias designações para cada órgão, cada patologia, cada princípio activo de um medicamento, imagine a confusão e as repercussões de tal profusão. Quem beneficiaria com isso? Nem o médico, nem o doente, nem a ciência! Só os falsos médicos e /ou os fraudulentos. É o que acontece com o desporto, onde a dispersão e a “inflação” terminológica, ao invés de se revestirem de alguma riqueza lexical, geram confusões recorrentes e desacreditam quem pretende ter uma atitude rigorosa e construtiva face à interpretação da realidade. Cada um inventa os termos a seu bel-prazer! De certo, haverá sempre espaço para inventar palavras, para criar neologismos. E ainda bem que assim é. Mas uma coisa é a arte de criar termos, criando sentido, outra é a proliferação obsoleta de termos sem que haja o mínimo consenso sobre os mesmos, o que “intoxica” a comunicação e embaraça a acção.”

Retomando aos conceitos de transição ofensiva e contra-ataque, para muitos estamos diante de uma classificação com CONCEITOS DIFERENTES E SIGNIFICADOS IGUAIS. Nessa perspectiva, transição ofensiva e contra-ataque dizem respeito a um momento do jogo que precede a organização ofensiva. É muito comum observarmos em ambientes em que se discute futebol expressões como: “a transição ofensiva da equipe A é muito veloz”, “a equipe B precisa de mais velocidade nas suas transições”, ou então, “a equipe C fez um gol numa grande jogada de transição ofensiva”.

Porém, quando se avança em leituras científicas sobre o jogo de futebol (sua interpretação e elementos que constituem sua organização), depara-se com uma classificação distinta da apresentada acima. Sob este viés, transição ofensiva é um conceito e contra-ataque é outro conceito. Logo, a situação apresentada refere-se aos CONCEITOS DIFERENTES E SIGNIFICADOS DIFERENTES. Lembrando que são as situações mais fáceis de serem solucionadas desde que não haja variações em suas interpretações.

Ao ter como sustentação teórica o pensamento sistêmico, assume-se que o jogo de futebol não deve ser divido (e pensado) nas quatro vertentes sabidamente conhecidas: Física, Técnica, Tática e Psicológica. Quando uma equipe (constituída por elementos) Joga, todas as suas ações com ou sem bola, quaisquer que sejam (não fazer nada, inclusive) são a manifestação da sua inteligência coletiva, que é tudo (Física, Técnica, Tática, Psicológica) ao mesmo tempo o tempo todo, como bem afirma Rodrigo Leitão.

Sendo assim, a divisão didática que faz sentido à observação do Jogo, deixa de ser a de suas vertentes e passa a ser a de seus Momentos (Organização Ofensiva, Transição Defensiva, Organização Defensiva e Transição Ofensiva), em função da posse de bola. Se considerarmos o Futebol como um jogo de oposição, quando uma determinada equipe encontra-se em um momento (p.e Organização Ofensiva), inevitavelmente o adversário estará em um momento oposto, seguindo o exemplo, em Organização Defensiva.

E é na divisão dos Momentos do Jogo e na tendência de fragmentarmos (bem como nas vertentes) o conhecimento (presos ao paradigma do pensamento cartesiano) que surge o conflito conceitual que, consequentemente, se estende à aplicação prática.

Para tentar facilitar a interpretação vamos continuar a discussão através de algumas imagens: 

Quando uma equipe tem a posse de bola ela está em Organização Ofensiva
Assim que uma equipe perde a bola ela está em Transição Defensiva
Quando uma equipe não tem a posse de bola ela está em Organização Defensiva
Assim que uma equipe recupera a posse de bola ela está em Transição Ofensiva

Funcionalmente, ou seja, para o jogo acontecer, as equipes apresentam comportamentos operacionais em função dos diferentes Momentos do Jogo. São eles:

Qualquer equipe executará (em diferentes níveis, logicamente) estas referências ao longo de um jogo.
Quando uma equipe está em Organização Ofensiva, executando as referências operacionais relativas a este momento do jogo, em linhas gerais, ela possui três formas de atacar o adversário. Veja quais são na imagem abaixo:

Caro leitor, convido-o novamente para contribuir com a coluna, agora com mais elementos. A pergunta que deixo, é a mesma do início do texto: As equipes podem fazer gol de transição ofensiva?
Participe!
 

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Corrupção na Fifa: como fica o futebol?

Na última quarta-feira o mundo amanheceu assombrado com a prisão, por corrupção, de sete dirigentes do alto escalão da Fifa. A prisão se deu faltando dois dias para a eleição da entidade e foi criteriosamente arquitetada para deter os dirigentes que estariam reunidos e hospedados no mesmo hotel, em Zurique.

Dúvida sobre a idoneidade da Fifa não é algo recente. O jornalista escocês Andrew Jennings, em 2006, publicou o livro “Foul!: The Secret World of FIFA: Bribes, Vote Rigging and Ticket Scandals”, traduzido para o português como “Jogo Sujo, o mundo secreto da FIFA: Compra de votos e escândalo de ingressos”, onde descreve histórias de falcatruas, subornos, armações, compra de votos, de ingressos para os jogos da Copa do Mundo, de fraudes na escolha de países-sede dentre outros esquemas.

Os fatos que ocasionaram as prisões foram investigados pelo FBI (Polícia Federal dos EUA), já que eventuais subornos e pagamentos se deram em território norte-americano. De certo, os detidos não contavam com a exímia capacidade investigativa da polícia dos EUA e, muito menos, com a celeridade processual, já que a ação penal foi proposta no dia 20 de maio, em Nova Iorque e as prisões se deram sete dias depois, na Suíça.

Os EUA estão começaram a tomar gosto pelo futebol e é praticamente unânime o entendimento de que em médio prazo passarão a figurar entre as maiores seleções do mundo. Entretanto, não se esperava que a revolução imposta pela eficiência ianque iria para além das quatro linhas a ponto de estremecer a poderosa FIFA.

Em um primeiro instante, sem dúvidas, arranha-se a imagem do futebol e gera-se a incômoda sensação de que a corrupção possa ter interferido até em resultados.

Mas, se hoje o futebol “chora”, amanhã ele “sorrirá”, pois as medidas adotadas pela Justiça norte-americana auxiliarão estrondosamente a transparência e a lisura na administração do esporte mais popular do mundo.

Aqui, no Brasil, é importante aprendermos e viabilizarmos uma Justiça célere e efetiva, bem como uma imparcial investigação dos meandros das entidades administradoras do futebol, a fim de que, rapidamente, os nomes mais badalados do esporte bretão possam ser os craques e não os dirigentes nas atividades extracampo. 

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Ciranda, cirandinha no futebol

Mais uma vez estamos vendo a reprodução da canção popular “Ciranda Cirandinha” no futebol brasileiro, ou seja, a ciranda dos técnicos nos clubes que disputam o campeonato brasileiro da série A.

Apesar de terem se passado apenas três rodadas, os clubes já se movimentam, demitem seus comandantes e partem em busca por novos profissionais para comandar suas equipes.

O curioso é percebermos que os técnicos que ontem figuravam como os profissionais mais adequados para atingir as metas do clube e que contavam com a confiança do grupo de gestão em seus clubes, rapidamente passaram a ser o principal problema pelo desempenho inicialmente ruim de suas equipes.

Se pensarmos em nossa vida cotidiana, os gestores muito se assemelham à alguns motoristas dirigindo seus automóveis em dias de engarrafamento nas grandes cidades.

É comum vermos um motorista mais impaciente trocar de faixa da esquerda para a direita acreditando que a outra faixa está evoluindo numa velocidade maior do que a que ele estava. Porém, quando ele passa à faixa ao lado, logo cria a percepção de que a faixa anterior está evoluindo melhor e por aí segue, trocando de faixa sucessivamente em busca de conseguir atingir mais rapidamente seu objetivo no trânsito.

Os gestores muitas vezes pensam da mesma forma e buscam nos outros clubes opções de comando técnico que aparentemente trarão melhor desempenho para suas equipes, mas na maioria das vezes isso não se materializa ou não se sustenta por muito tempo. O clubes acabam passando o ano com dificuldades para obter melhores resultados e invariavelmente brigam apenas para se manterem na mesma divisão do Campeonato Brasileiro.

É ou não é a verdadeira “Ciranda, cirandinha” representada no futebol? Um sai, outro vem e muita coisa não muda na situação atual de cada clube na tabela.

De fato, nos resta refletir se realmente a melhor alternativa para os clubes é se antecipar aos primeiros sinais de baixo desempenho e promover rapidamente uma troca de comando, ou se é ter um pouco mais de paciência, validar a confiança no trabalho que está sendo desenvolvido e aguardar um pouco mais para que o trabalho amadureça e apresente seus melhores resultados. Ah, levando em consideração que o material humano disponível (no caso os atletas) não muda com a troca de comando, são os mesmos comandados que serão corresponsáveis por obter na prática melhores e diferentes resultados dentro de campo.

E aí, amigo leitor, na sua opinião qual pode ser a melhor alternativa?

Até a próxima. 

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Engajamento do torcedor

Há um hábito, nos últimos tempos, em criticar ou apontar erros nos departamentos de marketing dos clubes pela sua inoperância ou ineficiência. E é fato! Precisamos evoluir muito em termos de ações de engajamento e aproximação junto ao torcedor/consumidor. Mas quando aparecem boas práticas, é preciso destacar para servir de modelo com a finalidade de evoluirmos como indústria.

Para tal, vou citar o início de uma campanha de conscientização do torcedor feita pelo Joinville Esporte Clube. O mote é “# Tô Fechado com o JEC”, que procura abrir um ponto de reflexão no sentido da cobrança por resultados esportivos do clube na sua volta a Série A do Campeonato Brasileiro (veja o vídeo aqui: http://globotv.globo.com/rbs-sc/jornal-do-almoco-sc/v/joinville-lanca-campanha-to-fechado-com-o-jec/4192240/).

O sentido é fazer com que o torcedor siga apoiando o clube independente do resultado dentro de campo. E é exatamente a isso que se presta um bom departamento de marketing de clube de futebol: desenvolver um trabalho que transcenda os resultados esportivos.

Logicamente, a campanha é tanto arriscada quanto ousada. O risco está, principalmente, se a performance da equipe for muito aquém do previsto, podendo virar alvo de torcedores rivais contra os do JEC. Mas estes pormenores do universo do futebol não podem inibir a liberdade criativa e os projetos necessários para melhorar o relacionamento do clube com o seu consumidor.

O que de fato acredito é que a ousadia poderá trazer frutos muito mais positivos do que negativos. E esse é o seu grande valor em uma campanha que percorre essa linha tênue! Reforçar a paixão do torcedor pelo clube através da campanha poderá gerar reflexos muito bons no presente e no futuro, como maior participação nos programas de sócio torcedor do clube, venda de produtos licenciados e ativações diferentes por parte dos patrocinadores.

O ambiente do futebol brasileiro precisa de ações mais efetivas para dialogar de forma mais clara e direta com o torcedor. Que bom, também, que podemos começar a citar exemplos de clubes com impacto regional. Isto é um bom indicador que as coisas podem evoluir muito bem em um futuro próximo à medida que os clubes começarem a ver os seus departamentos de marketing como “Centro de Investimento” e não como “Centro de Custos”! 

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Agenda positiva

Um amigo meu costuma dizer que “nós não vivemos mais na Era da Dúvida”. Instantes depois, desliza os dedos em alguns movimentos na tela de um smartphone e apresenta resposta para questões que anos antes perdurariam por horas – o autor de um gol numa partida histórica, o filme que ganhou o Oscar em determinado ano ou o autor de uma frase marcante, por exemplo. O advento da internet proporcionou uma disseminação inigualável da informação, e isso transformou o controle dos dados em grande diferencial. O problema é que o esporte muitas vezes não entende isso.

Hoje em dia, qualquer dado está a poucos cliques de distância. Com um acervo tão vasto à disposição, vivemos um período em que o controle da informação é a grande moeda: saber como tratar, entender o que é relevante e ter relevância (credibilidade + popularidade + popularidade com os nichos certos).

Um dos pilares desse controle é o trabalho reativo, que muitas vezes é baseado em administração de crise. Pensar em gerenciamento de informação demanda criar uma estrutura para conter vazamentos e direcionar o que é publicado sobre determinado assunto, mas também inclui um esforço para minimizar o que foge desse espectro.

É o que acontece em um escândalo, por exemplo. Uma equipe de comunicação tem de montar estratégias para minimizar denúncias, preparar porta-vozes e estruturar contragolpes para reduzir o impacto de algo que já é negativo.

O ponto aqui, contudo, é outro: o trabalho proativo. O esporte brasileiro tem bons exemplos de gerenciamento de crise, mas quais são os esforços para criação de agenda positiva? Já falamos inúmeras vezes sobre a falta de cultura de promoção de evento, e esse é um aspecto nevrálgico para a deficiência.

O Campeonato Brasileiro, principal torneio do futebol brasileiro, já teve três rodadas em 2015 e serve como exemplo. A média de gols (2,00 por jogo) é a pior desde 1990, e o público não chega a 13 mil por partida (12.968, para ser exato), com taxa de ocupação de estádios em torno de 28%.

As histórias do início da temporada são negativas. É um campeonato de baixo nível técnico, com estádios vazios e times grandes em momentos conturbados (Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras e São Paulo, por exemplo). A quantidade de notícias ruins sobre o certame é infinitamente maior do que o volume de críticas. Agora pense: o que é feito para mudar isso?

Sport e Goiás, times que ocupam as duas primeiras posições da tabela, são dois bons exemplos de histórias que podiam ser mais bem contadas. Além de tudo, são elencos com boas opções de personagens.

No entanto, quais são os grandes jogadores de cada uma das equipes? O que eles fazem para ter um índice de ascendência que extrapole suas próprias torcidas? Trabalhar apenas com o público que já consome sua marca é fácil, mas contribui pouco para o evento no sentido institucional.

Um projeto eficiente de comunicação no esporte tem de ser totalmente alicerçado em protagonistas. O contato direto e bem feito de atletas com o público ainda é a melhor forma de vender uma ideia. Qualquer liga estruturada entende isso.

E o Campeonato Brasileiro? O que o torneio faz para criar uma agenda positiva e garantir que as pessoas tenham uma percepção favorável sobre o que está acontecendo? Que tipo de controle é exercido sobre a informação?

A resposta é “nenhum”. O futebol brasileiro simplesmente não controla a informação. Não há um projeto direcionado a aproveitar melhor os bons personagens ou as boas histórias. Não há qualquer esforço para que as pessoas falem bem do produto.

Agora tente transportar essa lógica para a publicidade – ignorando uma série de particularidades das duas áreas, é claro: qual empresa se contenta em mostrar um produto apenas a pessoas que já têm pré-disposição para comprá-lo, e ainda por cima não faz qualquer esforço para falar bem da marca? É isso que acontece no Campeonato Brasileiro.

O mercado americano tem dado dois bons exemplos contrários. O primeiro vem da NBA, a liga profissional de basquete dos Estados Unidos. A competição tem uma temporada regular arrastada, que muitas vezes é criticada por questões técnicas e físicas, mas é inegável o esforço para gerar conteúdo. Isso fica ainda mais nítido em períodos como o atual, perto do término da disputa.

Você não precisa acompanhar a NBA para ter ouvido falar em nomes como James Harden, LeBron James e Stephen Curry, por exemplo. E mesmo se você não ouviu os nomes ou não viu os conteúdos gerados pela liga sobre seus protagonistas, certamente viu as imagens deles em alguma peça publicitária do torneio, dos times ou dos parceiros.

A temporada da NBA está a poucos jogos do desfecho. O conteúdo sobre a liga, contudo, extrapola demais o limite imposto pelo calendário. Essa é uma lição relevante.

Outro exemplo foi dado pelas 500 Milhas de Indianápolis. Veja: é apenas uma etapa de uma categoria que nem de longe é um fenômeno mundial de popularidade no automobilismo. Ainda assim, é uma marca extremamente relevante, que desperta interesse muito além dos fãs do esporte.

As 500 Milhas de Indianápolis são, na verdade, um evento que dura 30 dias, com uso do circuito para shows, apresentações de diversos esportes e diferentes formas de interação com o público. A corrida é apenas um detalhe nesse projeto todo.

Com uma programação tão extensa, o evento movimenta o noticiário local e atrai consumidores que não são apenas os apaixonados por corrida. É uma chance perfeita para aumentar a base de vendas.

Além disso, trata-se de uma forma de ampliar a relação de patrocinadores com o público, reduzindo a importância da exposição de mídia para essas marcas. É algo que aumenta consideravelmente o valor associado aos aportes, portanto.

O Brasil, o tal país do futebol, não consegue lotar estádios em sua principal competição nacional e não consegue fazer com que o evento seja notícia por motivos positivos. Achar que a simples paixão do povo pelo esporte vai ser suficiente para virar esse jogo é ingenuidade demais ou preguiça demais.

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Boca, River, rivalidade e violência

Boca e River protagonizam a maior rivalidade da Argentina e uma das maiores do mundo. Esta rivalidade atingiu o ápice da violência no confronto válido pelas oitavas de final da Libertadores da América, quando um torcedor do Boca, dono da casa, lançou gás de pimenta no túnel de jogadores do River. O incidente culminou com decisão do Tribunal Disciplinar da Conmebol que eliminou o Boca Jrs da competição.

Fundado em 1901, o River Plate é fruto da fusão de dois clubes amadores de Buenos Aires e, nos anos 30 adquiriu a alcunha de “Millionarios” devido ao elevado número de associados que garantia ao clube uma receita considerável.

O Boca Juniors, por seu turno, foi fundado em 1905 por imigrantes italianos que residiam no bairro de La Boca, região menos abastada de Buenos Aires. Sua origem ligada à população humilde trouxe ao clube grande identidade com o povo.

A rivalidade acentua-se no paradoxo socioeconômico estabelecido entre os clubes.

No intuito de banir a violência que ronda o confronto, passou-se a adotar as torcidas únicas. Entretanto, como se percebeu e já era previsto pelos pesquisadores, tal medida não é eficaz no combate à violência nos estádios de futebol.

Ora, a paz nos estádios de futebol necessita de medidas pedagógicas, bem como punição célere e efetiva, dentre outras.

Não obstante, os dirigentes e as autoridades buscam restrições ao álcool e torcida ao invés de atacar o problema na sua raiz.

No caso em comento, a Conmebol acertou ao punir o Boca com a eliminação e perda de mandos de campo e, ainda, demonstrou significativa evolução desde que seu Tribunal Disciplinar foi criado, eis que no incidente do Corinthians, em 2013, na Bolívia onde ocorreu uma morte, a punição havia sido extremamente branda.

O futebol sul-americano precisa extirpar a violência de seus estádios de forma a valorizar seu produto e fortalecer seus clubes, caso contrário cada dia perderão mais torcedores e telespectadores para o futebol europeu.

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Equipes em armadilha

Mal começou o Campeonato Brasileiro de futebol deste ano e já nos deparamos com a primeira demissão de um treinador. Após apenas duas rodadas, o primeiro técnico de um clube da série A já deixou o comando do seu clube.

O que terá acontecido para que os resultados esperados não se materializassem?

Sabemos que este tipo de situação se manterá presente durante a competição, seja para um ou outro clube. Mas como se prevenir de algumas questões que podemos considerar como armadilhas que os times estão sujeitos a passar, conforme as citadas por Patrick Lencioni em seu livro “As cinco disfunções de um time”.

Quero citar uma destas cinco armadilhas como um ponto de importante análise por parte das equipes de seus treinadores – “a falta de confiança”. Esta armadilha é como se fosse a causa raiz de problemas que causam a partir dela uma certa quantidade de efeitos colaterais para o time.

Se pensarmos na palavra confiança, podemos compreende-la como a crença de que as pessoas de quem dependemos irão realmente cumprir com nossas expectativas. A confiança está lastreada em 3 pilares básicos:

• Resultados
• Demonstração de preocupação
• Integridade

É raro um time conseguir uma relação de confiança que resista a resultados insuficientes dentro de campo, assim podemos entender que o resultado pode ser considerado uma premissa para que a confiança se instale em qualquer grupo de atletas. Em relação a preocupação, toda vez que uma pessoa se preocupa com outra, demonstra todo esforço dedicado a cumprir com as expectativas do outro, estimulando assim a criação de um elo de segurança que sustentará a relação de confiança entre os membros do grupo. A integridade se qualifica como uma palavra que pode ser decomposta em Ética, Honestidade, Consciência e Responsabilidade.

Nos grupos em que a confiança se faz presente, os atletas demonstram comportamentos como por exemplo:

• Pede ajuda a outro membro do grupo
• Aceita sugestões de pessoas externas
• Admite fraquezas e erros
• Fornece o benefício da dúvida antes de concluir algo pelo simples julgamento do outro
• Cumpre as expectativas dos outros e informar quando não irá conseguir cumpri-las
• Aprecia as competências compartilhadas dos membros do grupo

Neste sentido, o papel do treinador pode ser fundamental pois a confiança nunca é adquirida do dia para a noite, irá requerer que o grupo dedique seu tempo juntos e que efetivamente possam tratar francamente suas vulnerabilidades. Seguindo nessa direção o treinador poderá exercer um papel de integrador e também de membro deste grupo, criando elos duradouros de segurança com seus atletas, para que possam aceitar as vulnerabilidades da equipe e com isso possam admitir que algo de melhor possa ser feito em termos de evolução tática e técnica dentro de campo.

E aí amigo leitor, concorda que esta armadilha poderá estar presente durante todo o campeonato?

Até a próxima.