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Um momento de liberdade: o jogo

Dando continuidade ao texto publicado em 24 de setembro 2020 sobre coisas que aprendi na rua Pernambuco, tenho me questionado sobre a infância, sobre o brincar e o jogar nessa época da vida. Aqui vou utilizar o termo brincar com referência ao momento lúdico e livre vivido pelas crianças, e quando me refiro ao jogo, quero tratar das atividades que tem regras como premissa para a prática. Comecei uma breve pesquisa no campo dos estudos culturais e percebi que pode ser possível fazer uma aproximação dessa base teórica com o que tem sido debatido sobre a pedagogia da rua, o brincar e o jogar na infância.

As relações de poder que perpassam a sociedade cooptaram a educação, utilizando a pedagogia como ferramenta na conformação do sujeito idealizado. “A pedagogia vai corresponder ao conjunto de saberes e práticas postas em funcionamento para produzir determinadas formas de sujeito” (CAMOZZATO; COSTA, 2013, p. 26). A educação contaminada por essa lógica está presente nos mais diversos âmbitos da vida, desde a família, até à mídia.

A relação de domínio se dá na disputa de interesses diversos que atravessam o âmbito social. Buscando dar essa ou aquela direção às pessoas, esse jogo de poder opera por meio de uma determinada pedagogia, em especial, a institucionalizada. Nesse sentido, o que Camozzato e Costa (2013) buscam, é revelar que existe uma “vontade de pedagogia”, ou seja, o motor de uma pedagogia que atravessa, entre outros espaços, as instituições educativas, ainda com objetivo de manter a relação de domínio. Nas palavras das autoras conceito que se torna “dizível” se considerarmos que as condições culturais contemporâneas erigem constantemente pedagogias que cruzam a esfera social e acionam um conjunto de forças para intensificar e refinar, por via das pedagogias, as aprendizagens necessárias a tornar-nos governáveis. (CAMOZZATO; COSTA, 2013, p. 23).

Nesse sentido, seria a pedagogia da rua uma possibilidade de resistir a essa “vontade de pedagogia” que perpassa as relações sociais? Uma tentativa de resposta ao questionamento surge da observação de que quando uma criança brinca com outras, relações e aprendizagens se estabelecem ali, de forma pouco ou nada controlada e com a mínima ou nenhuma interferência externa (de adultos).

Entrar nesse estado de jogo pode abrir espaço para a construção de mecanismos de problematização do modelo de controle fomentado pela “vontade de pedagogia”. É que a lógica interna de algumas modalidades como o futebol, por si, são fonte de desafio e prazer, o que parece ser fator determinante para motivar uma criança a participar daquele momento e adentrar nesse mundo outro, como uma espécie de realidade paralela que acontece naquele instante e ao longo da disputa do jogo.

Esses portais que levam a “realidades paralelas”, simbolizam passagens da criança por momentos únicos na vida, em que cada brincadeira e cada jogo possibilita esse tempo outro, deixando marcas que se manifestarão ao longo da trajetória individual, como as estratégias de negociação de regras e de punições em caso de seu descumprimento. Em especial, a disponibilidade de entrar em relação com o outro em benefício do prazer da brincadeira e/ou do jogo.

O fomento a esse(s) espaço(s) do brincar nos proporciona pensar que é necessária a preservação da infância, em especial daquela que tem o brincar como elemento central, e que os(as) adultos(as) possam proteger e também usufruir desse(s) espaço(s), buscando refúgio nesse mundo outro, onde prevalece a possibilidade de construção coletiva em prol do desejo comum.

Assim, o esporte como fenômeno social, principalmente na pedagogia da rua e pela prática lúdica na infância, assume uma condição de potencial fomento de sociabilidade e construção subjetiva que não se pauta pelo modelo de controle da “vontade de pedagogia”, mas, pelo contrário, promove e incentiva a prática esportiva livre de objetivos docilizantes.

Referência

CAMOZZATO, Viviane Castro; COSTA, Marisa Vorraber. Vontade de pedagogia: pluralização das pedagogias e condução de sujeitos. Cadernos de Educação. UFPel. n.44, jan-ab. 2013. Disponível em http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/caduc/article/view/2737. Acesso em: 18 jan. 2021.

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Modelo de jogo: saiba o que é, como funciona e conheça os 4 momentos da partida

O tempo em que o futebol era definido somente pelo talento individual passou faz muitos anos.

Basta olharmos para trás para ver muitos jogos considerados “fáceis” que acabaram por dar “zebra” – que na verdade não é o animal em si, e sim um estudo complexo do jogar futebol.

Toda equipe de futebol pode ser ofensiva, se for bem treinada. Tudo o que acontece dentro de campo não pode ser obra do destino, tem que ser trabalhado exaustivamente. Daí surge o modelo de jogo.

O que é o modelo de jogo?

O nome já se explica, mas damos uma força: o modelo de jogo nada mais é do que treinar exatamente o que vai fazer no dia do jogo, como a equipe vai se comportar nos diferentes momentos da partida. Planejamento é tudo, meu amigo.

“Se você quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado.” – Provérbio chinês

“Mas que diabos é esse tal de modelo de jogo?”, alguém pode perguntar.

Nada mais é do que “como” a sua equipe vai jogar. Troca de passes estilo Barcelona? Ou lançamentos longos para a frente no estilo do time da minha rua? Marcação pressão no homem da bola ou marcação a partir do meio de campo? Com qual esquema vou jogar: 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3 ou 6-4-0?

Enfim, ao responder a essas perguntas, você já está criando um modelo de jogo para seu time. Afinal de contas, todo brasileiro é técnico de futebol. Sempre temos nosso time ideal em mente.

Características do jogo de futebol: os 4 momentos da partida

Você sabia também que uma partida de futebol se divide em quatro momentos? São eles:

1. Organização ofensiva

A organização ofensiva ocorre quando o time está com a posse da bola. Refere-se à maneira com que a equipe vai atacar, a movimentação dos jogadores, o estilo de passe que será dado nesse momento, o tipo de finalização etc.

2. Transição defensiva

É quando se perde a bola. Não fomos eficientes no ataque e a defesa adversária a roubou.

O que fazer? Quem marcar? Ou seja, essa transição defensiva é um momento rápido de reação do time que estava com a bola.

Perdemos a bola? Então, vamos pressionar o homem da bola o mais rápido possível para não deixá-lo virar o jogo. Esse foi um exemplo.

3. Organização defensiva

Não deu certo a nossa pressão. Não roubamos a bola rapidamente. Eles estão trocando passes e vindo pra cima da gente. O que vamos fazer? Como vamos marcar? Essa é a organização defensiva – a maneira como nosso time vai se posicionar para marcar o adversário enquanto ele estiver com a bola.

Todos atrás da linha da bola? Manter o esquema tático? Duas linhas de quatro? Enfim, isso vai de cada técnico.

4. Transição ofensiva

Roubamos a bola! É agora! Vamos pra cima! Nosso zagueiro roubou a bola e agora vamos atacar. Também é um momento rápido para nos organizarmos ofensivamente. Roubamos a bola, e agora? Pra onde ela vai? E assim começa a transição ofensiva no futebol.

Repararam o que é um ciclo? Todo jogo é assim. Momentos. As equipes treinam como vão atuar dentro desses quatro momentos. Isso é modelo de jogo.

Quer se aprofundar mais nos fundamentos e nas técnicas de modelo de jogo?

Confira o curso Modelo de Jogo: áreas técnicas e performance da Universidade do Futebol. Nele, são abordados os principais conceitos para que você se aprofunde na forma com que os treinadores desenvolvem e distribuem as suas equipes.

Entre as vantagens do curso estão:

  • conteúdo exclusivo
  • flexibilidade e autonomia
  • metodologia diferenciada
  • certificação da Universidade do Futebol

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Táticas no futebol: por que devemos pensar além delas?

É comum, hoje em dia, ouvirmos algumas discussões, supostamente sobre tática no futebol brasileiro se prendendo aos números envolvidos nos esquemas de jogo: o 1-5-4-1 seria defensivo demais, ou o 1-4-2-4 superofensivo — sim, colocamos o primeiro “1” fazendo referência ao goleiro, por isso não fico espantado quando Jorge Sampaoli pedia no Santos um arqueiro que saiba jogar com os pés.

Sistema de jogo: táticas no futebol são importantes, mas não são tudo

Acredito na ideia do “futebol total”: com a bola, todos atacam, inclusive o goleiro. E sem ela todos defendem, incluindo o centroavante.

Eu amo a tática no futebol e adoro estudá-la. Quanto mais conheço e observo, mais quero aprender. Sei, porém, que ela por si só não traz todas as respostas para os complexos problemas que um jogo de futebol apresenta.

É claro que uma equipe com um jogo minimamente elaborado terá referências coletivas de ataque, defesa e transições. Mas haverá também decisões que serão novas, exclusivas dos jogadores, que poderão fazer a diferença para o cumprimento da lógica do jogo.

É necessário analisar além da formação tática

O que quero dizer aqui é que a análise deve ser muito mais ampla do que o esquema tático do futebol. Até porque ele é circunstancial.

Uma equipe pode se defender com duas linhas de quatro e atacar com uma linha ofensiva de cinco jogadores, dependendo da altura que os laterais e os meias ocupam.

Além disso, por conta das características únicas de cada jogador, da sinergia e dos elos que se formam, toda a equipe terá suas características únicas. Ou alguém duvida que um 1-4-3-3 com Messi de falso 9 é diferente do mesmo 1-4-3-3, tendo Diego Costa como centroavante?

Não quero aqui tirar o peso da tática no futebol na análise. Pelo contrário. Colocar os óculos dos princípios e subprincípios ofensivos e defensivos para tirar padrões de comportamento de um time é superválido.

Mas esses mesmos óculos precisam ser calibrados: se não abrirmos os nossos olhos para a complexidade de um jogo de futebol, continuaremos míopes para entender por que uma equipe ou ganhou ou perdeu, mesmo usando esses óculos.

Quer aprender mais as táticas no futebol, novas estratégias e os princípios de defesa e ataque?

O curso Tática no Futebol da Universidade do Futebol apresenta de forma didática e bem fundamentada todos os conceitos relacionados à estratégia e ao modelo de jogo.

São 4 módulos divididos em 14 aulas com diversos exemplos reais de jogo, a fim de ampliar o seu olhar para o futebol.

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Esquema tático: saiba como estruturar a linha defensiva

O modelo de jogo, como sabemos, é o norte que orienta as ações dos jogadores nos diferentes momentos da partida.

Esse norte é balizado por inúmeras referências que se integram e se relacionam complexamente. Dessa forma, o esquema tático é uma das referências e não a única dentro do modelo.

Esquema tático: é preciso ter estratégia para ser efetivo

Sendo uma das referências, o esquema tático de futebol não garante por si só a “ofensividade” ou a “defensividade” de uma equipe, ou seja, jogar com três atacantes não quer dizer que minha equipe é ofensiva, ou jogar com cinco na linha de defesa quer dizer que estou na retranca.

Isso tudo depende de como o esquema tático está se relacionando e sendo utilizado para o cumprimento do modelo e dos objetivos dentro do jogo.

Contudo, não podemos negar que essa referência é fundamental (será? Podemos jogar sem um esquema tático?) para a estruturação do espaço do jogo e precisa ser desenvolvida no dia a dia de treino.

Estratégias do futebol: como implementar um esquema tático?

Para que o esquema seja treinado é preciso antes de tudo que ele seja definido com o modelo de jogo da equipe.

Não vamos definir aqui todo o modelo de jogo e apresentar um processo completo para o desenvolvimento do esquema tático em especial.

Vou definir a dinâmica que envolve a linha defensiva dentro do 1-4-4-2 em linha e apresentar três atividades para o seu desenvolvimento.

Volto a destacar que dentro do 1-4-4-2 existem diversas possibilidades e vou explorar uma delas.

Modelo de jogo hipotético: entenda como funciona

Em meu modelo de jogo hipotético, pensando na “linha de 4” defensiva, minha equipe irá se comportar a partir de uma marcação zonal com a participação do goleiro como um elemento que fará a cobertura dos defensores.

Além disso, a linha defensiva terá como princípio operacional de defesa a recuperação da posse de bola nas laterais do campo e impedir progressão na região central, onde os jogadores devem direcionar a jogada para as laterais.

Quando a bola entrar nos corredores do campo, os laterais devem pressionar a bola e os demais jogadores da linha devem se movimentar, a fim de criar uma linha de três jogadores atrás do atleta que realiza a pressão.

(Vejam que um modelo de jogo contém muito mais conteúdos, mas utilizarei apenas esses dentro da organização defensiva, para fins didáticos.)

Sendo assim, posso elaborar algumas atividades para desenvolver o modo de jogar específico de minha linha defensiva.

Vale a pena destacar que essa linha não deve ser confundida com linha de impedimento, pois sua dinâmica não busca deixar o adversário nessa condição, mas sim neutralizar o ataque adversário.

Atividade 1

Descrição

  • Atividade de 4 x 4 + coringa, em que o objetivo das equipes é fazer o gol nos golzinhos adversários.

Regras e pontuação

  • Região central do campo: dois toques na bola;                    
  • Gol nos golzinhos vale 1.

Atividade 2

Descrição

  • Atividade de 4 + goleiro + coringa x 5, em que o objetivo da defesa é recuperar a bola nas laterais do campo e fazer um passe para o coringa posicionado no meio-campo. O ataque deve fazer o gol.

Regras e pontuação

  • A linha defensiva não pode realizar desarmes na região central do campo, enquanto os jogadores do ataque só podem dar dois toques na bola nesse espaço. Dentro da área e nas laterais do campo é livre.
  • O gol vale 3.
  • Fazer o passe para o coringa vale 1.

Atividade 3

Descrição

  • Atividade de 4 + goleiro x 6.

Regras e pontuação

  • Defesa marca ponto quando recuperar a bola nas faixas laterais do campo (1 ponto) ou quando trocar cinco passes (1 ponto).
  • Ataque marca ponto quando fizer o gol no gol oficial (3 pontos) ou nos golzinhos (1 ponto).

Defender é mais do que correr atrás do seu adversário.

Por conta disso, o curso Tática no Futebol da Universidade do Futebol é uma excelente oportunidade para quem deseja ficar por dentro de conceitos fundamentais, como a estratégia, a tática e o modelo de jogo.

No curso, além de você ser apresentado aos princípios de defesa e ataque, os conteúdos da formação são exibidos de forma didática e bem fundamentada.

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Até a próxima!

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Saiba o que é a marcação por zona e veja como funciona

“A organização defensiva é, acima de tudo, uma questão de defender com lucidez. Aquilo que se deve fundamentalmente procurar é fechar os espaços e assim condicionar os adversários.” (FRADE, 2002).

Nas últimas semanas, recebi vários e-mails sobre questões relacionadas à marcação por zona. Por isso, resolvi antecipar a discussão sobre essa temática.

Antes mesmo de iniciarmos a reflexão acerca da marcação zonal, precisamos discutir o que é a marcação por zona aplicada ao futebol e destacar que ela é parte fractal da organização defensiva da equipe.

Marcação no futebol: conheça 5 formas básicas

A marcação pode ser definida como o ato ou resultado de marcar um espaço e/ou um adversário direto (adaptado de AMIEIRO, 2005).

Partindo dessa definição, podemos discutir cinco formas básicas de marcação em relação ao espaço e ao adversário:

  1. Marcação zonal: age sobre o espaço.
  2. Marcação individual: age sobre o jogador adversário.
  3. Marcação individual por setor: cada jogador é responsável por um espaço e pelo jogador adversário que estiver dentro do local.
  4. Marcação mista: utiliza tanto a marcação zonal quanto a individual, que se alternam em circunstâncias específicas do jogo.
  5. Marcação híbrida: apresenta características da marcação zonal e individual, ao mesmo tempo que estas se manifestam em decorrência da estratégia da equipe.

Cada um desses tipos de marcação tem inúmeras outras referências que a orientam, mas não vamos discuti-las neste momento.

Nosso foco agora é: o que é marcação por zona. Nesta, cada jogador administra um espaço do campo que se modifica em função da bola, de seus companheiros e dos gols.

Marcação por zona: entenda como funciona

O objetivo da marcação é otimizar a ocupação espacial da equipe, deixando o “campo pequeno” para o adversário que ataca.

Na região onde a bola se encontra, a busca é pela criação da superioridade numérica, sem desguarnecer o lado oposto do campo que deve permanecer “vigiado” pelos jogadores mais próximos deste setor.

A região onde a bola se encontra é chamada por alguns autores de “lado forte”, e a região oposta é chamada de “lado fraco”. Em cada uma dessas regiões há uma preocupação diferente por parte da equipe e varia conforme o modelo de jogo de cada uma delas.

É imprescindível conquistar os espaços do jogo de forma estratégica

Para Nuno Amieiro, em seu livro “Defesa à zona no futebol”, ocupar os espaços do jogo de forma inteligente criando superioridade numérica na região da bola é um dos fatores fundamentais para “controlar” os adversários.

Além de criar superioridade numérica na região da bola e “vigiar” o lado oposto a ela, na marcação por zona se preconiza a presença de linhas escalonadas que servem como coberturas e visam, com isso, “aumentar” o caminho entre a bola e o gol.

Vale destacar ainda que na marcação por zona a atenção do jogador não deve ser apenas na ocupação do seu espaço mas também no desenvolvimento de seu jogo como um todo, levando em conta as demais referências do modelo de jogo.

Na marcação por zona, o que se busca é uma marcação coesa, dinâmica, homogênea com o intuito de fornecer uma referência coletiva comum aos jogadores dentro da organização defensiva da equipe.

Por fim, não trago nenhuma atividade prática para vocês, mas venho propor que me enviem sugestões para o desenvolvimento desse conceito.

Na próxima coluna, vou apresentar alguns desses exercícios propostos por vocês a fim de trocarmos informações sobre nossos treinos: acredito que essa troca é fundamental para todos nós.

Perto de finalizar, eu trouxe uma frase de Ayrton Senna, grafada em seu capacete histórico, diante do qual passo todos os dias quando vou para o campo de treino:

“Há um grande desejo em mim de sempre melhorar. Melhorar é o que me faz feliz. E sempre que sinto que estou aprendendo menos, que a curva de aprendizado está nivelando, ou seja, o que for, então não fico muito contente. E isso se aplica não só profissionalmente, como piloto, mas como pessoa.”

Conheça o curso “Mapa de jogo” da Universidade do Futebol

O curso “Mapa de jogo: desvende a complexidade do jogo de futebol”, da Universidade do Futebol, mostra a importância de enxergar o jogo com um fenômeno multidimensional e como essa visão implica os ambientes de treino e jogo.

São abordados tanto aspectos macro, como a lógica e as competências básicas do jogo, quanto os aspectos micro, como as regras de ação para cada posição dos jogadores de futebol.

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Até a próxima!

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Tipos de marcação no futebol: quais são as possibilidades?

Há muito tempo o futebol chama a atenção pela grande variedade de modelos, estratégia, táticas, plataformas e sistemas que o constroem. Na Itália, na Inglaterra, Espanha, Portugal, França, Argentina, México, Brasil muitas características fazem do mesmo jogo (o jogo de futebol) uma infinidade de possibilidades. Ataque, defesa, transição; muitas e ímpares são as discussões. Uma delas gira em torno do Sistema Defensivo, mais especificamente do sub-sistema “marcação” desse Sistema. Vejamos resumidamente pequenos detalhes de um grande contexto desse sub-sistema (chamemos esse sub-sistema de Sistema para facilitar o entendimento) .

Didaticamente, no jogo de futebol, podemos dividir o Sistema de Marcação em quatro formas predominantes de aplicação:

1 – Marcação Individual
2 – Marcação em Zona
3 – Marcação Mista
4 – Marcação Híbrida

A Marcação Individual tem como premissa a busca constante pelo “jogador a ser marcado” – o jogador “B” deve marcar o jogador “A” em todos os seus deslocamentos ofensivos; podendo ter como referencial não somente o jogador, mas também a “posição” do jogador (em outras palavras a marcação individual pode ser do tipo “homem a homem”, mas também pode ser do tipo “lateral pega lateral”, “volante pega meia” etc.).

A Marcação em Zona tem como premissa a otimização da ocupação dos espaços, impondo controle posicional regional e buscando obter vantagem numérica nos diversos setores do campo de jogo.

A Marcação Mista é aquela que tem como premissa a utilização da Marcação Individual e da Marcação Zona em situações diferentes e específicas do jogo, alternando-as de acordo com essas situações.

A Marcação Híbrida apresenta características da Marcação Individual e em Zona ao mesmo tempo, tendo como premissa a utilização da Marcação Individual e a Marcação Zona de acordo com estratégias bem definidas para a recuperação da posse da bola.

Para qualquer uma dessas marcações há ainda, de acordo com a forma de recuperação da posse da bola, a marcação ativa, a passiva e a mista; e para cada uma delas cinco linhas regionais (FIGURA 1) de referência para o início propriamente dito da estratégia de recuperação da bola.

A marcação ativa é aquela que busca “atacar” a bola na tentativa de recuperá-la mais rapidamente. A marcação passiva é aquela que busca “forçar” o adversário ao erro quando ele está de posse da bola.

Então dentro dessas subdivisões (meramente didáticas) poderíamos encontrar 60 combinações possíveis de modelos de marcação (Ex: Marcação Individual ativa na linha 1;Marcação Individual ativa na linha 2;Marcação Individual ativa na linha 3; Marcação Individual ativa na linha 4;Marcação Individual passiva na linha 1; Marcação Mista ativa linha 3; Marcação Híbrida passiva linha 4; etc.).

Para cada um desses modelos é possível que se defina diversas estratégias que, de acordo com sua lógica, podem modificar totalmente as dinâmicas do jogo.

Por exemplo, podemos ter uma Marcação Zona Passiva na linha 4 do tipo “Triângulo”, uma do tipo “Duas Linhas de Quatro” ou em “Cinco Faixas” (dentre tantas outras). Podemos ter, por exemplo, uma Marcação Individual Ativa na linha 1 do tipo “Pressão no Homem da Bola”, “Pressão Relativa” ou “Pressão Total” (dentre tantas outras). O mesmo vale para as Marcações Mistas ou Híbridas.

Com maior ou menor intensidade todas elas tem vantagens e desvantagens, exigindo mais ou menos intensidade de concentração; porém todas elas para não se tornarem reféns dos seus próprios problemas precisam ser discutidas, entendidas e bem estruturadas. É necessário porém de se destacar que a complexidade de uma Marcação Zona é maior do que a Individual; a Mista maior do que a Zona e a Híbrida maior que a Mista. A complexidade envolve todas as variáveis que interferem e/ou sofrem interferência do tipo de marcação adotada.

Infelizmente nossos atletas (no Brasil) são pouco estimulados a compreender as variações e implicações que surgem para cada tipo de sub-sistema de marcação que pode ser empregado em um modelo de jogo (e isso tem que começar com urgência nas categorias de base). Felizmente a inteligência dos nossos jogadores (seres humanos que são) dá a eles ferramentas para se adaptarem as novas situações estratégico-táticas quando vão para a Europa e quase na “marra” precisam apreender novas formas para o “jogar” (e felizmente para nós brasileiros, é possível que esse aprendizado fora do Brasil esteja colaborando e muito para nosso desempenho nas Copas do Mundo Fifa de Futebol).

Exemplos de exercícios para treinamentos específicos de marcação (devo lembrar que os exercícios que não representam momentos de um processo, de nada servirão se trabalhados isoladamente em um momento qualquer)

EXERCÍCIO: Protegendo a “zona de acesso” (prof. Rodrigo Leitão)

Exemplo de exercício de treinamento para um tipo de Marcação em Zona para linhas 3 e 4 que pode ser usada independente da Plataforma de Jogo utilizada. É uma marcação do tipo “Fechar o Meio” onde o objetivo principal é marcar a todo custo a faixa defensiva central do campo, levando o adversário para as laterais.

Versão 1.0:

Equipes jogam (7+Goleiro)x(7+Goleiro) (em posição). Marca ponto a equipe que conseguir receber a bola ou entrar conduzindo na região demarcada.

(se houver mais de duas equipes: sugestão = a cada 5 minutos sai a equipe que perdeu o jogo). Os goleiros defendem a “Zona de Acesso” dentro da grande área com as mãos. Quando a equipe conseguir marcar ponto, a bola recomeça com o goleiro.

Versão 2.0:

Mesmo jogo. Mas agora marcam pontos também ao fazer gols. Quando marcarem pontos, não mais o jogo recomeça com o goleiro. Agora segue normal.

Versão 3.0:

Mesmo jogo da v2.0, mas agora vale ponto também qualquer finalização da região delimitada.

Versão 4.0:

Agora a “Zona de Acesso” virou “Continente de Acesso”. Ela compreende a região demarcada + a grande área toda. Praticar primeiro com as regras da v1.0, depois v2.0 e por fim v3.0.

Para cada versão à sugestão processual : iniciar 7×7 (+goleiros); depois 8×7 (+goleiros); depois 8×8 (+goleiros); depois 10×10 (+goleiros) e por fim 10×9 (+goleiros).

Exercício: Passando a bola no campo inimigo – com pontuação e eliminação (prof. Rodrigo Leitão)

Exemplo de exercício para treinamento de Marcação Individual a partir da Linha 3.
Jogo em campo com dimensões normais. Equipe vermelha versus equipe amarela. Jogo normal onde se marcam pontos de duas formas:

Se uma equipe fizer gol marcará 1 ponto;

Se uma equipe conseguir dar 10 passes no campo de defesa do adversário também marcará 1 ponto.

Cada jogador de cada equipe deverá ter como tarefa marcar um atleta correspondente da equipe adversária (lateral direito marca o lateral esquerdo, zagueiro marca atacante, etc). Se um jogador permitir que o seu correspondente a ser marcado receba a bola no seu campo de defesa (da equipe que marca) por três vezes (na mesma seqüência de ataque)estará eliminado do jogo por “n” minutos.

O jogo deve ser realizado em 11 contra 11.

Cada jogador que for temporariamente “eliminado” deverá ser substituído por um atleta que estará de fora (fora do jogo) esperando (da mesma posição ou não).

Uma variação possível:

Ao invés de ter um jogador eliminado, o jogador que conseguir receber a bola três vezes no campo defensivo do adversário (na mesma seqüência de ataque) marcará ponto para a sua equipe.